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Biodeteriorização
controlada por método anóxio;
Baseado
no trabalho do Dr. Robert J. Koestler, Phd em biologia celular,
pesquisador cientista do Centro Sherman Fairchild para Conservação
de Objetos, Metropolitan Museum of Art, Nova York, USA.
O problema de infestação por insetos ou micróbios
em objetos de arte é secular.
Técnicas de controle incluíram desde tratamentos por
ervas, fumaça de fogueiras, e, mais recentemente por meios
químicos. Todos promoveram certo nível de eficácia,
senão o controle das pestes. Porém, muito freqüentemente
o tratamento, enquanto visava salvaguardar a arte, criava danos
às mesmas. Com o propósito de eliminar os efeitos
colaterais dos controles de infestações, diversos
laboratórios no mundo focaram-se, incluindo o nosso, em meios
não-químicos para um tratamento não destrutivo.
A
história da fumigação para tratamento de controle
de pragas no campo da conservação de bens histórico-artístico-cultural
é uma sequência de uso de produtos químicos
inadequados um após o outro. Todo fumegante é um biocida
(biocida é qualquer produto químico que reage com
um ou mais processos dos organismos vivos e inibe este(s) processo(s),
resultando na morte do mesmo) Infelizmente biocidas tendem a reagir
além do seu organismo-alvo. Eles também, muito freqüentemente,
reagem com algum componente do bem em tratamento. Por vezes a reação
é bastante evidente (ex.: alteração de cor
ou brilho da pintura); outras vezes é invisível ao
olho desarmado (ex.: absorção do biocida para dentro
do material , alteração do Ph, quebra de cadeias moleculares,
etc). Ainda, os fumegantes podem ser danosos ou até letais
aos seres humanos nas concentrações aplicadas ao controle
de pragas, sem mencionarmos os possíveis danos ao meio-ambiente.
Vejamos alguns exemplos:
Brometo de metila, por exemplo, quebra ligações que
contenham átomos de enfoxôfre, produz odores nocivos,
ataca três vezes mais a camada de ozônio do que fluorcarbonos.
Óxido
de etileno, muito eficiente na erradicação de insetos
e fungos. Altamente tóxico para humanos, tido como agente
carcinogênico, retêm-se em componentes de arte que contenha
lipídios, ex.: pergaminho e couro.
Ao
mais recentemente utilizado em museus dos Estados Unidos, o fluoreto
sulfúrico, foi detectado em testes no laboratório
do Metropolitan Museum of Art que; 10 entre 11 sistemas de pigmentos
ficaram alterados por este fumegante.(Koestler et al., 1993)
Outras
alternativas para combater infestações são
aplicadas tais como congelamento, aquecimento, radiações
de comprimentos diferentes, etc. Todas causando, em maior ou menor
grau, um estresse físico nos materiais. Arte é freqüentemente
composta por um variado conjunto de materiais e cada material responde
diferentemente à mudanças de energia a qual é
submetida.
Por exemplo: se o coeficiente de dilatação é
significantemente diferente entre materiais em um mesmo bem, e se
este for congelado ou aquecido, os materiais que compõe este
bem dilatarão ou contrairão em razões diferentes.
Isto pode, e freqüentemente conduz, a fissuras ou rachaduras
em certos tipos de materiais.
Testes com radiação Gama em pergaminhos novos e antigos
demonstraram que os danos por radiação são
acumulativos e mais gravemente sucetíveis em pergaminhos
antigos. (ref. Dr. Petushkova)
É
sabido que todos os insetos, ou melhor, todos os seres acima do
nível dos fungos (chamados seres superiores) necessitam de
oxigênio para seus metabolismos. Surge o conceito teórico
genialmente simples: Em um ambiente anóxico (livre de oxigênio)
todos os seres superiores serão erradicados .
Após
anos de pesquisa e aprimoramento o Dr. Koestler comercializou a
patente da técnica de erradicação de pestes
por atmosfera anóxia à Art Care International, Inc.
sediada em Nova York, USA.
O procedimento executivo da técnica é relativamente
simples:
- isola-se o bem/objeto da atmosfera rica em oxigênio
- substitui-se o ar rico em oxigênio por um gás inerte(não
reage com material algum) anóxico (pobre em oxigênio)
- aguarda-se um prazo pré estabelecido até o aniquilamento
total dos insetos e retira-se o bem/objeto do ambiente anóxico.
Paradoxalmente, este processo demanda alta tecnologia de suporte para que sejam atingidos os baixos níveis de oxigênio
e sua manutenção para que a total eficiência
seja alcançada.
A
eficiência da técnica foi exaustivamente analisada
em laboratório com o acompanhamento de emanações
de metano e CO2 pertinente aos processos digestivos e respiratórios
respectivamente dos insetos. Com a espectrometria no infravermelho
modificado de Fourrier a precisão da leitura e eventuais
oscilações dos gases chega a ser de 20 ppb (partes
por bilhão) em apenas 20 minutos.
Atualmente,
este método é o meio não-destrutivo mais preciso
e seguro de detecção e erradicação de
infestações em bens de valor histórico-artístico-cultural.
Compilado por Ulisses Mello.
Rio de Janeiro, 8 de Agosto,2001
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